O ''ser'' Importante-Part 5- Em estado Nirvana

O dia fatídico chegou e para a minha alegria, em plena segunda-feira mesmo nas férias, a ideia de acordar tarde foi por água abaixo....


O dia fatídico chegou e para a minha alegria, em plena segunda-feira mesmo nas férias, a ideia de acordar tarde foi por água abaixo. ''Vamos sair daqui Amanda, umas 8 horas'', afirmou meu pai no jantar da noite anterior. Mas, como cerca de 99% das mulheres são enroladas, acordei as 6 e 30.
Nunca tomei um café tão rápido e ríspido. O ''bom dia'' saiu meio que retraído em direção ao meu pai e meu cachorro sequer me lambeu como o esperado. Subi para o meu quarto e troquei de roupa rápido; coloquei um blusão cinza, uma calça estilo boyfriend, um tênis madbull vermelho e apenas um cordão de penas da Galinha da Angola, os brincos foram dispensados. Na bolsa marron de lado, joguei uma canga DYE Hippie, biscoitos e água, já esboçava um plano pra finalizar o meu dia de forma leve. Conferi os pertences para que os mais importantes não tivessem sido esquecidos: as chaves, o fone de ouvido e câmera.

Saímos as 8 e 15 da manhã, e no carro o silêncio era a melhor música que eu já tinha ouvido. Meu pai jogava umas conversas do que iríamos fazer a tarde e '' ahans''  transformaram-se em palavras em meu dicionário de comunicação.Chegamos, não encontramos vagas para estacionar e procuramos a responsável pelo meu laudo. Chris Martin disse tudo :'' Nobody said it was easy'' (Ninguém disse que seria fácil)  e a tal Cris, suposta que responsável que desvendaria o desfecho dessa ladainha,  infelizmente tirou férias de 5 dias depois de 4 anos trabalhando que nem sinházinha.

Agradeci a moça bonita de olhos claros, por ter olhado umas 40 vezes todos os exames que os médicos revisores tinham acabado de deixar por lá. Ainda restou um pouco de esperança de estar infiltrado (mas é lógico que não, deixa de ser burra). Sai de lá mais tensa do que o normal, mas ao mesmo tempo aliviada. Independente de tudo, eu deveria ter paciência, sendo tarde demais ou não.
Depois do ocorrido, eu e meu pai andamos pela cidade. Encomendei alguns remédios em uma farmácia de manipulação e a frase '' Essa menina ta me dando um prejuízo'', ficou gravado nos ouvidos das atendentes (150 reais só de remédio).  Fomos ao correios e antes de chegar, aleguei ao meu pai que ''ficaria pelo centro, queria disparecer um pouco...''. ''Tudo bem'' e ''tome cuidado'',  foras as palavras mais doces daquele dia.

Não hesitei em andar sem destino, não vacilei em falar com o Hippies e jamais pude esquecer de colocar pra repetir ''Freedom Talking Over'' o reggae com pitadas de Jazz/Blues que me lembrava a pessoa que eu tanto prezava à 21 dias. Poutz! Foram 15 min, lembrando e relembrando os locais que ele estacionou o seu carro preto. Pior: vários carros pretos iguais passavam e os passarinhos internos me faziam ter refluxo. Cheguei no meu destino. O ultimo lugar que nos encontramos. Não foi por esse motivo que paralisei no Country Cub, é pra ficar sozinha mesmo; olhar pro nada, tentar não pensar e quem sabe fazer amizade com as árvores. Eu jamais imaginaria ver tanta gente fazendo caminhada e também não esperaria encontrar com o meu ex sogro pro lá, trabalhando. Falei um oi rápido e evasivo, perguntei como todos estão e sumi. Achei digno ser direta, fui pra um lugar pra ter paz, e não pra ficarem no meu pé. Alguns marmanjos tentaram me seduzir, mas infelizmente ''os fracos não tem vez'' , pois minha lerdeza não favoreceu os oportunistas.
Nunca ouvi tanta música em um só dia, presumi ter assomado o NIRVANA, mas na verdade, é o poder de leveza espiritual.

O estado somático era dormente e peculiar. O encanto foi dado como ultimato quando ''Clocks'' do Coldplay disparou em meu celular, estava escrito ''Paizão''. ''Quer ir embora comigo? Ok... me espera na escola Marcílio''. Sai do country em estado de êxtase e até alguns turistas colombianos, pararam pra tirar fotos comigo, me acharam muito Zen!
Por fim, cheguei até a famosa padaria do Paissandú e meu pai estava lá,  pronto para mais uma volta silenciosa. Ei! Não foi tão silenciosa assim!O  tio Luis Miguel era o Dj, mas a minha cabeça só tava no verde, no indivíduo e no dia seguinte... dia em que a  faxineira chega escandalizando!
Aguarde e saiba o que ela aprontou dessa vez.

Por Amanda Belém

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